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July 19 O CERRADO EM RISCOQuerido/a amigo/a, estamos numa corrida contra o tempo para evitar mais um projeto desastroso contra o Cerrado Baiano, está na Câmara Municipal de Vereadores de Correntina o projeto que cria o perímetro urbano do Loteamento Cidade Treviso, é um projeto muito perigoso para nossa região já que fica no coração do cerrado nas mediações entre o rio Arrojado e o Correntina, estamos ocupando todos os espaços possíveis para evitar a aprovação do projeto na Câmara, já que a prefeitura deu carta branca e com um decreto já criou o loteamento mais os lotes só serão vendidos se a Câmara aprovar.vale lembrar porem já são feitas vendas irregulares.
É um projeto monstruoso que cria um perímetro de um milhão de metros quadrados e terá futuramente pólos industriais e comerciais no local o que significa quase que o fim do cerrado no município.
Já estivemos no debate direto com os vereadores e queremos ampliar cada vez mais a discussão do tema para assim gerarmos uma possível desistência dos vereadores em aprovar o projeto.
Queremos inclusive lotar a caixa de e-mail da Câmara com mensagens pedindo para não votarem em favor do projeto.
Pode ser simples com for mais não deixe de mandar sua mensagem em defesa da vida do Cerrado e de toda a sua gente.
Peça a todos os seus amigos para passar uma mensagem também.
Visite http://www.cidadetreviso.com.br/ e conheça o tamanho do projeto.
Ficaremos agradecidos com a participação de todos em defesa de nosso rico e frágil bioma.
A VOTAÇÃO DO PROJETO ESTÁ MARCADA PARA ESTA TEXÇA-FEIRA, 18/07/06 MAIS DEVIDO À NOSSA PRESSÃO NÃO DEVERÁ OCORRER.
Um grande abraço de todos os moradores de Correntina que desejam viver mais e melhor em harmonia com o meio ambiente
Domicio Souza May 11 .....................................................................................................No Vale do Rio
Velha carranca que espanta os males
Salva esses vales desta humilhação Pede a Bom Jesus, a São Desidério. A Santa Maria Porto-Solidão Trazer de volta o velho Guarany E o seu povo tupy ressuscitar do chão Vale, bonito, vale da alegria Vale um poesia, vale uma canção Vale um briga, vale uma cantiga Vale a uma história Vale um coração E o velho Chico que era tão bonito Hoje é só arenito não existe mais Porque o progresso que descobriu minas Acabou com as minas de Minas Gerais Não queria agora vir pra Correntina Explodir as minas dos nossos gerais Salvem os porcos-do-mato, o pequi Caju e o buriti, jacarés e jaguar Salvem os povos: tupis, guaranis, Tapirapés, Terena jes, Tupinanbás. Que o nosso barco de vida e alegria Volte todo dia para nosso chão Ser nova “Arca” em “Porco Solidário” Traçar o anuário de libertação Paa o nosso Porto Calendário Não ser só lendário, não só-li-dão. Vale Formoso, vale Arrojado Vale Rio das Éguas Vale o Pratudão Vale o Rio Grande Vale Carinhanhamente Vale está canção. de Iremar Barbosa, ativista político
Correntina, Bahia
March 29 Danaça da PizzaMarch 24 .................................................................................................Nota de solidariedade às mulheres camponesas
Está ocorrendo no Rio Grande do Sul uma situação absurda em que o Estado ao invés de defender os interesses da sociedade, coloca todas as suas instituições, especialmente as forças de segurança pública, a serviço dos interesses do grande capital. Nesse sentido querem transformar uma questão social num crime comum. A manifestação das mulheres da Via Campesina, no 8 de março, teve como objetivo denunciar ao mundo os crimes ambientais e sociais das empresas que promovem o deserto verde, como a Aracruz. Elas agiram em defesa da vida, de uma forma de desenvolvimento rural que se baseia na agricultura camponesa, na reforma agrária, na preservação da biodiversidade e na construção da soberania alimentar. A ação das mulheres provocou um debate mais crítico na sociedade brasileira e mundial sobre o agronegócio. Porque as empresas e a mídia vendem uma imagem de que grandes empreendimentos geram muitos empregos. Mas a Aracruz gera apenas um emprego a cada 185 hectares plantados com eucalipto, enquanto a agricultura camponesa gera no mínimo um emprego por hectare. Estranhamente, ao invés de se preocupar em investigar as empresas, que com apoio financeiro dos governos, estão provocando destruição ambiental, desemprego e êxodo rural, concentração fundiária, entres outros crimes o Estado do Rio do Sul se apressa em achar um culpado ou culpada para ação contra o deserto verde. A arbitrariedade com que agiu o delegado de polícia Rudimar de Freitas Rosales (delegado de polícia de Camaquã) acompanhados de seis agentes policiais, na casa da Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais, em Passo Fundo, demonstra que objetivo das investigações policiais não é esclarecer fatos, e sim incriminar lideranças, e dessa forma negar a legitimidade da luta coletiva realizada por mais de duas mil mulheres contra o deserto verde. Eles chegaram por volta das 14h, arrombaram o portão, invadiram o espaço da Associação com armas de fogo na mão e renderam sete mulheres e uma criança que ali se encontrava encurralando-as para o espaço da cozinha. Sendo questionadas de forma veemente as mulheres não estavam entendendo o que estava acontecendo, pois os policiais não haviam se identificados e se apresentado e nenhum mandado até aquele momento, somente após um tempo é que mostraram o mandado de ingresso expedido pelo Juiz DR. SEBASTIÃO FRANCISCO DA ROSA MARINHO. A arbitrariedade foi tamanha que as mulheres só tiveram permissão para contatar com o advogado 1 hora e 20 minutos após a invasão. A busca não se deteve à secretaria da associação, revirando todo espaço (cozinha, área de serviço, quartos, as sacolas das mulheres, espalhando tudo no chão). Levaram as CPUs dos computadores, CDs, disquetes, passagens urbanas e interurbanas, dinheiro, talões de cheques, todos os documentos da Associação, pastas com os projetos e prestações de contas, cadernos e anotações, símbolos da Associação e nem fizeram uma relação do que foi apropriado pela polícia. Além disso, a polícia invadiu, sem mandado judicial a sede da Associação Nacional de Mulheres Camponesas, que funciona no andar inferior da Associação estadual e tem entrada por outra rua. Na sede nacional os policiais humilharam a funcionária e uma mulher que estava no local, arrombaram gavetas, levaram dinheiro, passagens urbanas e interurbanas, CPUs, disquetes e cds. E esse material foi apropriado pela polícia sem nenhuma ordem judicial. Ainda sem a presença do advogado, o delegado fez a intimação para que todas se apresentassem para depor, ainda na tarde do dia 21/03, obrigando-as a assinar a intimação e forçando-as para depor sem a presença do advogado. Somente com a chegada do advogado, foi que as mulheres puderam ir ao banheiro e passaram a ser tratadas como seres humanos. A atitude do delegado e dos policiais desrespeitou não apenas os direitos humanos como revelou o machismo da instituição, pois só diante da presença masculina passassem a respeitar as mulheres. Reafirmamos a luta pelos direitos humanos, especialmente das mulheres trabalhadoras, que estão sendo agredidas por defender a vida, a biodiversidade, a soberania alimentar da população brasileira. Via Campesina – Brasil March 12 3o. Encontro das Partes do Protocolo
Comentemoi pessoal estou feliz Para os que virãoPOESIA
Para os que virão
Como sei pouco, e sou pouco, faço o pouco que me cabe me dando inteiro. Sabendo que não vou ver o homem que quero ser.
Já sofri o suficiente para não enganar a ninguém: principalmente aos que sofrem na própria vida, a garra da opressão, e nem sabem.
Não tenho o sol escondido no meu bolso de palavras. Sou simplesmente um homem para quem já a primeira e desolada pessoa do singular - foi deixando, devagar, sofridamente de ser, para transformar-se - muito mais sofridamente - na primeira e profunda pessoa do plural.
Não importa que doa: é tempo de avançar de mão dada com quem vai no mesmo rumo, mesmo que longe ainda esteja de aprender a conjugar o verbo amar.
É tempo sobretudo de deixar de ser apenas a solitária vanguarda de nós mesmos. Se trata de ir ao encontro. (Dura no peito, arde a límpida verdade dos nossos erros.) Se trata de abrir o rumo.
Os que virão, serão povo, e saber serão, lutando. Thiago de MelloDecember 30 Saqueando os Cofres PublicosRoubo! Mais roubos.Um relatório do Tribunal de Contas da União enviado à CPI dos Correios aponta irregularidades em contratos de publicidade firmados entre o Ministério do Turismo e as agências de publicidade Perfil e Agnelo Pacheco, segundo informações da agência Senado. Ainda de acordo com a agência, há também operações suspeitas entre a Embratur e as agências McCann Erickson e Art Plan Comunicação. As irregularidades teriam ocorrido entre 2002 e 2005. Contatado pela agência Senado, o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), confirmou as irregularidades “de ordem técnica” em licitações e renovações de contratos, mas se negou a mencionar valores. Serraglio disse que a CPI está investigando o maior número possível de contratos de publicidade dos órgãos do governo e, por isso, o relatório do TCU foi enviado à comissão. Mas segundo ele, se as irregularidades não tiverem ligação com o esquema coordenado pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, dos dados poderão não fazer parte do relatório final da CPI. COMENTÁRIO DO BLOG: Enviado por Nino às 9:49 PM December 21 Feliz NatalFELIZ NATAL! FELIZ 2006! O natal é um tempo de reflexão. Enquanto escrevíamos nossa mensagem de final de ano fomos tentados a considerar uma longa retrospectiva dos fatos que marcaram 2005, como mensalão, dólares na cueca, febre aftosa, entre outros. Então resolvemos esquecer tudo isso, guardando algumas lições, e nos concentrar em refletir simplesmente sobre felicidade. Logo no início, concluímos que é impossível ser feliz o tempo todo. Que a felicidade e a infelicidade convivem em um mesmo sistema, assim como nós e a solução para os nossos problemas. Chegamos a uma primeira constatação: ser feliz é uma opção. Envolve pró-atividade, entusiasmo, força de vontade. Não tardou a percebemos que ela, a felicidade, não está relacionada com riqueza. São situações cotidianas, atitudes simples e pequenos gestos que nos trazem felicidade, como uma conversa agradável, um abraço, sorriso ou um beijo, o trecho de um bom livro, uma música que nos toca, um final de tarde ensolarado. E o mais importante: ser feliz invariavelmente está ligado à presença de pessoas queridas em nossas vidas. Por isso, reforçamos neste final de ano: "A vida acontece em Grupos". Obrigado por estar comigoo por mais um ano. Um forte abraço, December 15 Qem nâo Deve não Teme
CONTROLE SOCIAL DAS POLÍTICAS PÚBLICAS
Campanha estimula população
“QUEM NÃO DEVE NÃO TEME”. Este é o lema da campanha que vai alcançar toda a Bahia com o objetivo de divulgar e estimular os cidadãos a fiscalizarem as contas públicas das prefeituras e câmaras municipais. O direito é garantido pela Constituição Federal, artigo 31, parágrafo 3º, no qual consta que as contas do ano anterior estarão disponíveis ao público durante sessenta dias nas câmaras municipais. Na Bahia, de acordo com a Constituição Estadual , esse prazo de sessenta dias deve ser cumprido até 15 de junho, data limite para que essas contas sejam enviadas ao TCM - Tribunal de Contas dos Municípios.
Esta é uma iniciativa da Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais (AATR), Cáritas, Centro de Assessoria do Assuruá (CAA), Espaço de Participação Social (ESPASSO), Federação de Órgãos para a Assistência Social e Educacional na Bahia (FASE/BA) e Movimento de Organização Comunitária (MOC), e tem função educativa, alertando todo o povo baiano para seu papel ativo na transformação social. O lançamento oficial irá ocorrer na segunda quinzena de março.
A campanha chegará aos 417 municípios baianos através do envio de representação intitulada “Petição da Cidadania Ativa” a todos os promotores do estado e ao Procurador Geral de Justiça. A Petição visa provocar o Ministério Público para uma atuação efetiva na garantia do livre acesso da população a todos os documentos referentes às receitas e despesas municipais do ano anterior, impedindo possíveis atitudes autoritárias por parte dos gestores públicos.
Além da Petição, será distribuído um kit que inclui cartaz, folder, cartilha, CD e modelos de petição e representação, para entidades da sociedade civil e cidadãos do interior da Bahia. A idéia é que a campanha seja abraçada pelo maior número de pessoas e entidades e possa se multiplicar pelo estado. Para apoio e divulgação, está sendo formada uma rede de colaboradores que servirá como referência para o impulso local das atividades. Em diversas regiões do estado serão realizados cursos de formação com o objetivo de subsidiar a fiscalização.
Os promotores e organizações locais receberão ainda um questionário sobre a execução e andamento da Campanha em cada município, o que servirá depois para a elaboração de um dossiê sobre a transparência e a abertura das contas públicas no Estado da Bahia.
A ocupação da grande mídia e de veículos alternativos de comunicação, a exemplo de rádios comunitárias, boletins informativos, carros de som etc., será fundamental. A sociedade civil deve conquistar espaços de veiculação do material informativo nos diversos meios e incentivar a organização de mutirões locais para acessar as contas municipais e denunciar possíveis irregularidades.
A coordenação da campanha compreende esse momento como um importante passo para o fortalecimento da democracia através da participação ativa dos cidadãos. A iniciativa inspira-se, sobretudo, na trajetória do saudoso professor Elenaldo Teixeira, da UFBA, que deixou uma grande contribuição para o exercício da cidadania através do controle social das políticas públicas e também na iniciativa exitosa da Força Tarefa Popular, no estado do Piauí, que desde 1999 tem conseguido estimular a criação de grupos locais para fiscalização das contas em diversos municípios daquele estado.
Contatos diretos: Secretaria da Campanha: AATR – tel/fax: 71-3329-7393 / 7519 Ladeira dos Barris, 145, Barris, CEP. 40.070-050 – Salvador-BA December 14 Bioma do Cerrado BrasileiroEnganaram o bispo
Altair Sales Barbosa*
Bendito seja louvado o ato do bispo da Diocese de Barra, Bahia, dom Luiz Flávio Cappio, por tomar a atitude de jejuar e chamar a atenção dos brasileiros para um problema gravíssimo: o projeto de transposição do rio São Francisco que, sorrateiramente, está sendo preparado pelos técnicos e burocratas do Governo Federal sem uma discussão maior e profunda com a comunidade científica brasileira e também com a população. Afinal de contas, o rio São Francisco é o mais brasileiro de nossos rios maiores. Ele nasce e deságua em terras brasileiras.
O Bispo chamou a atenção para um assunto muito mais complexo do que se imagina. Por isso, precisa ser ouvida a honesta comunidade científica brasileira, para que, ao tomar sua decisão final, o Governo não se restrinja às opiniões de seus técnicos nem às opiniões de técnicos ligados às empreiteiras da obra. Porque estes, para usar uma expressão nordestina, são cabras desmoralizados, que só pensam em engordar suas contas bancárias, ou rechearem suas cuecas. Portanto, o ato de Dom Cappio abre a possibilidade para que a imprensa colha informações dos cientistas brasileiros e leve o problema, de forma correta, ao conhecimento do povo.
Infelizmente o Bispo foi enganado e parece que sua luta chegou ao fim, a não ser que tome outras atitudes corajosas; caso contrário, cairá brevemente no esquecimento da fraca memória do povo brasileiro. Foi enganado pelos Doutores da Lei da própria Igreja Católica, que publicamente condenaram o seu ato, recorrendo a não sei que tipo de lei para justificarem suas posições contrárias.
É preciso lembrar que o verdadeiro cristianismo se constrói com coragem, determinação, amor, sabedoria e radicalismo, no sentido de se cortar o mal pela raiz. O próprio Jesus Cristo, antes de tomar atitudes, tidas como revolucionárias, tinha o hábito de jejuar. E, nos seus ensinamentos, diz ser o jejum um ato purificador e de coragem. Foi enganado também pelos ministros e técnicos do Governo Federal, que o procuraram para garantir que faria a obra, porém antes se comprometeria a fazer a revitalização do rio São Francisco.
Senhor Bispo, a revitalização do São Francisco não depende da boa vontade do Governo, nem de decretos ou Medidas Provisórias. Também não depende do nosso amigo São Pedro, controlador das torneiras do céu, porque se algum dia for possível revitalizar o São Francisco é preciso levar em consideração o tempo da natureza, que é medido em milhares e milhões de anos. Portanto, é diferente da escala de tempo, que regula o mandato dos governantes.
O rio São Francisco nasce no Cerrado de Minas Gerais, num local denominado Serra da Canastra, e percorre mais de 3.000 km até chegar ao Oceano Atlântico. Ao longo desse percurso, vai engrossando suas águas, principalmente com seus afluentes da margem esquerda, que formam as sub-bacias do rio Paracatú, do rio Urucuia, do rio Carinhanha, do rio Corrente e do rio Grande. Todos esses rios e seus alimentadores menores estão morrendo a cada hora que passa. Alguns já desapareceram para sempre. Isto acontece porque os dois grandes aqüíferos que fazem o São Francisco brotar e o alimenta ao longo do seu percurso, conhecidos como Aqüífero Bambuí e Aqüífero Urucuia, estão secando.
Para entender este fato é necessário recuar no tempo, pelos menos 35 milhões de anos. É nesta época que surge o cerrado que, com seu sistema radicular complexo, começou a reter as águas das chuvas que caíam principalmente nos Chapadões do Noroeste de Minas e Oeste da Bahia, Distrito Federal e Nordeste Goiano. Essas águas primeiro são armazenadas nas rochas moles que formam o lençol freático; depois, pela abundância, infiltram pelas brechas das rochas e se acomoda nos lençóis profundos também chamados de artesianos. No Bambuí, que é calcário, esta água, após atravessar a Formação Urucuia, que é arenosa, se armazena nas imensas galerias comuns às formações calcárias. No Urucuia, a água, com o tempo, foi formando grandes reservatórios que se acomodavam por entre os poros dessa rocha mole.
Quando os aqüíferos retiveram água suficiente, esta começou a brotar, na forma de nascentes, principalmente nas testas da Serra e na forma de pequenas lagoas nas áreas aplainadas, formando as veredas. Com o tempo as águas, como lágrimas milagrosas, começaram a descer em direção a leste, encontrando a calha do seu condutor mór, o rio São Francisco.
E assim foram se formando paisagens que deveriam ser maravilhosas. Ao longo dos rios surgiam lagoas e banhados, onde se multiplicavam, em grande quantidade, os peixes que outrora eram abundantes, não só no São Francisco, mas em todos os seus afluentes. Hoje, pergunto onde estão os surubins, os pacus, os dourados e outros, que saciavam a fome de um grande contingente populacional?
Senhor Bispo, certamente lhe disseram que irão repovoar o rio através da soltura de alevinos. É sempre bom lembrar que a cadeia alimentar desses filhotes de peixes se inicia nas lagoas e matas ciliares, ambientes produtores de fitoplânctons. Nem as lagoas nem as matas ciliares contínuas existem mais.
Entretanto, pior que um rio sem peixes, é um rio sem água. Foi dito que os aqüíferos Bambuí e Urucuia, alimentadores do São Francisco, estão secando. Não se trata de uma afirmação irresponsável nem demagógica. Um aqüífero é recarregado pelas suas bordas, onde existem os terrenos planos que impedem o escorrimento rápido da água. A vegetação nativa dessas áreas planas, chamadas chapadões, retém no mínimo 70% das águas das chuvas. Estas águas vão alimentar os lençóis subterrâneos, que por sua vez alimentam as nascentes, os córregos, os riachos e os rios. Este processo de formação e recarga dos aqüíferos vem acontecendo há pelo menos 35 milhões de anos, numa Época Geológica denominada Mioceno.
A partir de 1970, a vegetação nativa do cerrado, que ocupava os chapadões, capinas e tabuleiros, foi sendo, num ritmo cada vez mais feroz, substituída por plantações de grãos: primeiro, a soja; depois vieram outros e agora vem a cana com toda voracidade. O cerrado que existia em solo onde a agronomia ainda não tinha tecnologia para sua correção foi sendo retirado e transformado em carvão.
Conseqüência: a chuva continuou caindo, mas não infiltrava como anteriormente, nem era absorvida pelo complexo sistema radicular da vegetação nativa, porque esta não existia mais. As plantas exóticas introduzidas têm raiz sub-superficial e não chegam a reter 20% das águas. Além do mais, como são culturas temporárias, fazem com que em grande parte do ano o solo fique desnudo, aumentando a perda da umidade do lençol freático. Acrescente-se a isso os pivôs centrais que, nos chapadões, são alimentados através de poços artesianos. Ou seja, além de não estarem sendo recarregados normalmente, a pouca água existente nos aqüíferos ainda é sugada para umedecer as grandes plantações, que não retém o excesso dessa água, que acaba evaporando.
Para falar em revitalização é necessário o conhecimento da ecologia e da história evolutiva do cerrado. O cerrado é a maior diversidade florística do planeta. Um plano de revitalização levaria isto em consideração?
Quanto tempo leva para atingir a maior idade a árvore do burití? da buritirana? da mangaba? os arbustos, as gabirobas, as bromélias e as gramíneas? Ou seja, ainda não existe uma tecnologia eficiente capaz de restabelecer a biodiversidade do cerrado.
Já foi demonstrada a importância que as plantas nativas do cerrado tem para a recarga dos aqüíferos. Os que falam em revitalização deveriam saber também que o cerrado já atingiu seu clímax evolutivo. Isto significa que, uma vez degradado, jamais se recupera na plenitude de sua biodiversidade.
O fato é que a existência do rio São Francisco depende de fatores ecológicos extremamente complexos e interdependentes.
O processo de desaparecimento dos seus alimentadores está acontecendo num ritmo mais acelerado do que imaginávamos e infelizmente êsse é um processo irreversível. Portanto, qualquer obra que coloque em risco o frágil equilíbrio do rio São Francisco pode significar a sua morte, num tempo mais curto que aquele que podemos imaginar.
O raciocínio é simples: a chuva que caía era absorvida em grande parte pela vegetação nativa e ao longo de muito tempo foi-se formando aqüíferos formidáveis, que fazem suas descargas nos declives e áreas baixas formando os rios.
Era como se fosse um imenso reservatório, abaixo de nós, alimentando os rios. Uma grande caixa d'água com vários furos enfileirados de cima para baixo. Quando o reservatório estava cheio a água jorrava por todos os furos. A medida que o nível ia se baixando a água que jorrava dos furos superiores deixava de correr. E assim sucessivamente. Êste fenômeno é conhecido pelo nome de migração de nascentes. E assim está acontecendo: a migração das nascentes provoca o desaparecimento de pequenos cursos d'água no início, mas à medida que o processo se acentua os cursos maiores são afetados, até desaparecerem totalmente. De vez em quando vão ocorrer cheias estrondosas, mas isto não significa que o rio ressuscitou; são fenômenos efêmeros provocados por enxurradas resultantes de chuvaradas, que se deslocam pelos antigos caminhos d'água.
Usando a figura da novela nordestina poderia se dizer:
É a derrubada, São os grãos, É o lençol que diminui, É a seca, Se continuar assim, A passagem pra morte, É o tempo!
Portanto, Dom Cappio, compartilho da sua atitude e o parabenizo pela coragem. De onde estiver estarei comungando com o Senhor. Entretanto, se a situação de degradação dos alimentadores do São Francisco continuar no ritmo desse modelo econômico, imposto pelo capital internacional, e se o Senhor tiver que esperar pelos resultados da revitalização, é bom, por precaução, levar para o próximo jejum as encomendadeiras de alma, para rezarem por nós e pelo rio. Provavelmente a água será incorporada no seu próximo jejum.
O que se espera é que os acomodados olhem mais para o povo e deixem a vã legislação ou normas para o bom senso resolver.
É claro que a revitalização é impossível, mas há, no Brasil, pessoas honestas e com conhecimento para sugerirem ao Governo programas de planejamento ambiental que amenizem o problema.
Entretanto, o presidente Luis Inácio, que sempre usou nos seus discursos o tema das moratórias, que tenha ao menos a coerência de apoiar e tomar iniciativa para estabelecer uma moratória ambiental. Assim faria um grande bem ao povo brasileiro. (outubro/2005)
-------------------------------------------------------------------------------- *Altair Sales Barbosa é professor titular do Instituto do Trópico Subúmido da UCG October 25 ABRA O OLHO PRA O QUE VOCÊ ESTÁ COMENDO!
October 19 abra os olho
July 20 mesagemConta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo, no Egito, com o objetivo de visitar um famoso sábio. O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros. As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco. - Onde estão seus móveis? - perguntou o turista. - E o sábio, bem depressa, perguntou também: - E onde estão os seus...? - Os meus?! Surpreendeu-se o turista. - Mas eu estou aqui só de passagem! - Eu também... Concluiu o sábio. A VIDA NA TERRA É SOMENTE UMA PASSAGEM. NO ENTANTO, ALGUNS VIVEM COMO SE FOSSEM FICAR AQUI ETERNAMENTE, E ESQUECEM DE SER FELIZES. O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis... February 23 O ETERNO VAGABUNDONÃO SE MEDE O VALOR DE UM HOMEM PELAS ROUPAS QUE VESTE E NEM PELOS BENS QUE POSSUI. O VERDADEIRO VALOR DE UM HOMEM É O SEU CARÁTER AS SUAS IDÉIAS E A NOBREZA DOS SEUS IDEAIS. |
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